Literatura e periferia paulistana chegam a Cuba

Em janeiro, escritor Michel Yakini participa da 19ª Seminário de Antropologia Social e Cultura Afroamericana, em Cuba; Documentário sobre participação de saraus paulistanos na Feira de Livros de Buenos Aires também será exibido

30/12/2014

 

A literatura periférica paulistana começa 2015 com o pé direito e, já na primeira semana do mês, chega a Havana (Cuba). Lá ela será tema de discussão na 19ª edição do Seminário de Antropologia Social e Cultura Afroamericana, organizada pelo Museu Casa de África, entre os dias 5 e 10. 

 

A participação brasileira está a cargo do escritor Michel Yakini, do Sarau Elo da Corrente, e da produtora Amanda Prado. Dentro do quadro "Cultura, Identidade e Alteridade", Yakini levará o texto "Literatura Marginal/Periférica: Páginas, versos e vozes de um movimento", a fim de apresentar um panorama de toda efervescência literária que está acontecendo nas periferias de São Paulo, no contexto dos saraus, das publicações, dos autores e autoras, além de refletir essa consolidação - cultural e social - no Brasil.

 

O escritor também deve participar do Festival Afropalavra - que reúne artistas e escritores de Cuba, e é realizado paralelamente à Oficina -; além de realizar um recital durante a inauguração da Associação Yoruba.

 

Outro projeto brasileiro, desta vez em formato audiovisual, será apresentado na capital da ilha caribenha. "Da ponte pra lá" é um curta-metragem que registrou a passagem de vários saraus pela 40ª Feira do Livro de Buenos Aires (Argentina). O documentário foi realizado apenas por mulheres: Tally Campos, cineasta; Kena Chaves, produtora e tradutora; Andrea Oliveira, assistente de produção; e pela produtora Amanda Prado, que irá representar o grupo. 

 

A oportunidade de um intercâmbio entre as experiências culturais dos países foram ressaltados pelos representantes brasileiros. "Nós conhecemos pouco sobre a arte e literatura cubana. Isso é mão dupla, pois provavelmente os cubanos pouco conhecem sobre nós. O que chega na troca nem sempre reflete o fazer da maioria da população de cada país. Se não acontecer esse contato direto com outros lugares para além da periferia de SP, dificilmente vamos ecoar nossa literatura, pois na maioria das vezes não somos divulgados como referência literária no país", avalia Yakini. 

 

A atividade cubana acontece anualmente, desde 1986, com o intuito de discutir a presença da cultura africana em Cuba, na América e em todo o mundo. Neste sentido, segundo Amanda, exibir o documentário neste evento e, especificamente na ilha, é muito positivo. "Cuba tem uma formação muito parecida com a nossa, uma população negra e periférica. Escolhemos estar neste evento porque acreditamos que temos muitas pontes possíveis com este lugar. E os saraus já provaram que o idioma não é problema", diz.

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